A espiritualidade é fogo. É como brasa que queima você por dentro. Queima seu ego, seu orgulho, seus padrões mentais, emocionais. Te vira do avesso. Te aperta. Te coloca na parede. Tortura tudo o que você acredita. Quebra seus paradigmas. Bate forte no seu estômago. Enfia a mão bem lá dentro de você. Lá no fundo. Incomoda. Ah, a espiritualidade incomoda. Porque transforma tudo o que você acredita numa outra coisa. Muda você bio, fisio e energéticamente. Muda a tomada. De 110w pra 220w. E isso queima. Queima seus hábitos. Seus modismos. Sua indiferença sobre algo que agora faz diferença. Muda a frequência. Muda a percepção. A sensibilidade. E isso é fogo. Isso é foda. Porque você fica mais sensível a tudo. Ao sutil e ao denso. O que antes você não percebia agora passa a perceber com uma intensidade muito forte. E a tendência é piorar. A ficar mais forte. Mais sensível. Mais perceptível. Levantou a antena. Aí não é só as leis da gravidade, temperatura, espaço e tempo que você vai perceber, não. Vai bem além disso. E aí assusta. Porque a gente não conhece essas outras leis. Essas outras influências que Einsten e um monte de pensadores já percebiam. E essa máquininha meia boca que a gente chama de corpo começa a ser bombardeado por informações que se expressam em sensações que confundem todo o aparelho emocional da gente. E aí neguinho espana. Esperneia, fica puto com a espiritualidade. Que na real não tem nada a ver com isso. Nada mesmo. Até porque quem foi lá e melhorou a alimentação, aprendeu a ativar os chacras e a circular e manipular a energia no corpo foi você mesmo. A espiritualidade só trouxe as informações e técnicas sobre isso. Mérito seu sentir isso. É a ação-reação, my friend. Agora não adianta ficar de bode com o negócio. Meu pai, meu mestre na espiritualidade, que me iniciou nessas coisas sem mesmo falar sobre o assunto me marcou muito com uma frase. Eu tinha uns 13 pra 14 anos mais ou menos. Ganhei um livro do Brain Less, não me lembro se era assim que se escreve mas, whatever. Esse livro vinha com alguns exercícios de regrassão de memória e tal. Sempre gostei muito desses assuntos. (Com 10 anos eu ficava em terreiro de Umbanda acendendo charuto de preto velho e cabloco, que, por sinal, o médium era adivinha quem? Meu pai, claro. Enfim. Peguei o livro li num palito e comecei a praticar. Foi sensacional. Pratiquei durante meses. Um certo dia, não encontrava as fitas. Na época eram fitas cassete. Pois é. E fui mexer nas coisas do meu pai. Um armário com livros sobre pontos de Umbanda que eu tinha medo só de olhar as capa com demônios de vermelhos de capas e chifres, argh. Mas enfiei a mão lá e peguei uma fita. “Clarividência” estava escrito nela. Pensei: acho que não dá nada. Fui fazer o exercício que, nada mais era do que uma simples ativação de chacras e tal. Mas na época, chacra pra mim, era onde a gente ia passar o final de semana com a família. Ou seja, me ferrei. Me arrebentei, entre aspas, energéticamente. Fiz tudo errado, mas como a intensão era forte o resultado também foi. Mas errado. Levantei como um zumbi. Minha cabeça explodindo. Era como se eu estivesse dentro de uma piscina. Abri a porta do quarto dos meus pais, eles estavam dormindo. Eu estava apavorado. Fechei a porta. Morria de medo do meu pai. Ele vai ficar furioso, pensava. Fora tudo o que estava sentindo. Abri de novo a porta. Só escuto ele num tom seco e duro: “Que foi?” Sentei na ponta da cama. Coloquei a mão na cabeça e disse com a voz fraca: “Estou perdido”. Ele, como de se esperar, soltou a bronca: “Não mexa com o que você não conhece, moleque!”. Levantei atordoado pela bronca, pela frase e pela prátca e fui pra cama. Rezei como nunca. Adormeci. E com isso adormeceu qualquer prática espiritual. Mas nunca, nunca adormeceu dentro de mim a fascinação pelo assunto. E a frase do meu pai me acompanhou durante longos 6 ou 7 anos. Quando enfie a cabeça nos livros. E fui, conhecer profundamente sobre o assunto. Foi muito rica essa experiência. Foi muito importante a frase do meu pai. Foi especial a “porrada” que levei da espiritualidade. E coisas como Jesus disse e vários outros mestres e iniciados disseram sobre ela se confirmaram para mim: “A espiritualidade não é para fracos”. E essa fraqueza não é do ego, do orgulho, não. É da pressão que o mundo físico, esse aqui que a gente vive faz sobre quem estuda esses assuntos. Pressão psicológica, emocional e principalmente energética. E não são dos outros, que isso é de menos. É de nós mesmos. A espiritualidade é fogo. Fogo que quima a gente por dento e por fora. Mas que, quando a gente fecha os olhos e deixa ela queimar, a sensação é indescritivelmente maravilhosa. Ah, se é.
Firmeza. Força. Perseverança na senda que a pressão vai ficar maior. Afinal, quanto maior a luz, maior a escuridão.
Namastê Babaji, Jesus, Budha, Krisna, Yogananda, Ramakrisna, Aivanhov, Ramatis, Pena Dourada, Águia Negra, Exus, Pretos-Velhos, Calunga, Wilson (meu pai), Wagner, Enki, Marisa e toda a espiritualidade pelas “porradas” no meu bendito e teimoso ego. Namastê.