quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
No colo de Manitu.
Um índio veio até mim, me falou coisas que eu precisava ouvir. Coisas que se fala pra alma. Que chega suave mas toca fundo, na raiz da gente. Que quando a gente escuta, fica sem chão. Deve ser porque é dito com o coração. Mais do que isso. Mais do que um irmão, um pai, uma mãe. Bem mais. E quando fala assim não dá pra ficar indiferente. Muda tudo. Muda de dentro pra fora. E a gente desaba. Como uma árvore velha que se estraçalha e quebra pelo vento. E aquilo foi brisa. Uma vez no chão a gente chora. Um choro que vem não sei de onde, não sei de quantos “eus”. Do eu de hoje, do eu de ontem, do eu de sei lá quantas vidas. Mas sai tudo pra fora. Dói um bocado. Normal, faz parte da coisa. Algo precisa se quebrar pra gente consertar. Mas num lance desses ninguém fica sozinho, não. Porque ele me pegou no colo. Me deitou na grama, a mesma grama fofa que ele batia com as mãos e cantava pra Manitu. E foi aí que percebi que quem me aninhava não era ele, mas o Grande Espírito. Então, aí eu não sabia mais onde terminava a pele das minhas costas e onde começava a superfície da terra. O fogo que envolvia o meu corpo, agora era suave, verdinho, pequeno. Poderoso. Curava de leve algo em mim. Tentava me levantar, mas estava tão unido aquilo que a vontade existia como vontade apenas, músculo nenhum se mexia, nada. Era como se biologicamente algo tivesse perfeito. Era pra ficar ali, do jeitinho que eu estava. Queria ficar ali pra sempre. Que saudade de algo que não sei o que é. Saudade de se tornar parte desse todo de novo. E o aprendizado disso tudo é que o verdadeiro dono de alguém é só Ele, Manitu, o Grande Espírito. Dono de mim e de você.
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